Penso às vezes sobre como são frágeis nossas relações: em um dia temos alguém como um tudo nessa vida, assim, tão derrepente, você se dá conta de que esse alguém é só um restinho que você deixou pra trás.
Pode parecer cruel falar assim, mas o esquecimento e a indiferença é o desfecho natural das coisas. Quantas vezes você chorou no final de um ano letivo, pelas amizades que se afastariam, depois tentou consolo na existência dos meios de comunicação, das redes sociais, mas nunca, nunca mais, nem se prontificou a mandar um e-mail pra marcar um reencontro de boteco?
E quem não se descabelou por amor, e depois sorriu envergonhado da excentricidade da coisa?
Isso é desapego, uma hora a gente cansa de sentir saudades, de alimentar lembranças, porque a gente nunca pensa mais no outro, a prioridade é nossa, o conforto emocional é nosso. Acho que isso não é uma coisa ruim, só nos livramos de bagagens antigas, pra ter mais espaço entre os braços para segurar às outras que vem vindo, vêm vindo e um dia se vão.
Mas como nada é regra, têm sim pessoas que passam e marcam, deixam lembranças claras, fortes, mas nem por isso, sofreremos pra sempre com as partidas.
O círculo das coisas efêmeras é imenso, e pensar que pessoas são efêmeras me faz rir, fere um pouquinho do orgulho, principalmente porque não queremos ser esquecidos no meio do nada, nem queremos ser lembrança turva. Em contrapartida, quando esquecemos é um peso que a gente larga e um corpo mais leve tem melhor postura, mesmo quando o esquecimento é forçado, daquele tipo que força que escangalha por dentro pra depois te deixar melhor, um tipo de força mais mental do que física de pressionar o botão delete, de clicar num block e nunca mais usar a pesquisa do reencontro, um tipo de força que gera lágrimas involuntárias que lavam as retinas deixando a visão mais clara e as cores mais vibrantes, um tipo de força que te estimula e aumentar seu amor próprio, te aproximando de sua essência, a de uma natureza um tanto egoísta, só que sem precisar de alguém pra suprir isso. Liberdade.
Liberdade é o que queremos, mas liberdade sem solidão, por isso, pessoas continuaram chegando, riscando nosso caminho e apagando como que com borracha. Somos feitos pra isso.
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